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Prevenção contra Incêndio: por que considerar a segurança desde a concepção do projeto

Foto do escritor: Pryscilla Zamberlan
Pryscilla Zamberlan
há 2 dias
3 min de leitura
Projeto de PPCI


Um projeto não começa apenas pela implantação, pelo programa ou pela solução arquitetônica. A segurança contra incêndio também deve estar entre as primeiras condicionantes consideradas.


O Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndio (PPCI) faz parte das exigências para a segurança das edificações e áreas de risco. No Rio Grande do Sul, sua regulamentação está estabelecida pela Lei Complementar nº 14.376/2013, suas alterações e pelas normas técnicas aplicáveis.


A questão, portanto, não é se o projeto deve atender às exigências de prevenção contra incêndio, mas como incorporá-las desde a concepção, de forma que implantação, acessos, circulações, distribuição dos ambientes e soluções arquitetônicas já sejam pensados em conjunto com as condições de segurança.


Considerar o PPCI desde o início é também uma forma de projetar com mais previsibilidade e evitar que exigências obrigatórias sejam tratadas apenas como ajustes posteriores.


Segurança contra incêndio como condicionante de projeto


A concepção de uma edificação envolve diferentes condicionantes que precisam ser analisadas de forma integrada. A legislação urbanística, as características do terreno, o programa de necessidades, as questões ambientais, as soluções construtivas e as exigências de segurança fazem parte desse conjunto.


Nesse contexto, a prevenção contra incêndio não deve ser compreendida como uma análise isolada da arquitetura.

Dependendo das características da edificação e de sua ocupação, as exigências de segurança podem repercutir na configuração dos espaços, nos acessos, nas circulações e nas rotas de saída, além de demandar a previsão e compatibilização de elementos e áreas técnicas.


Uma solução arquitetônica pode funcionar sob o ponto de vista espacial e, ainda assim, precisar ser revista quando confrontada com as condições necessárias para o atendimento das medidas de segurança. Por isso, conhecer essas condicionantes durante a concepção permite que diferentes alternativas sejam avaliadas antes da consolidação do projeto.


Em um novo empreendimento, por exemplo, decisões relacionadas à implantação e à organização dos espaços podem ser desenvolvidas considerando também os acessos e as condições necessárias para a segurança da edificação. Em uma construção existente, uma mudança de ocupação, uma ampliação ou uma intervenção pode trazer novas demandas que precisam ser avaliadas em conjunto com a proposta arquitetônica.


A própria legislação estadual estabelece que a definição das medidas de segurança contra incêndio está relacionada às características da edificação ou área de risco. Isso significa que não existe uma solução única aplicável indistintamente a todos os projetos. A análise depende das condições específicas de cada caso e da regulamentação vigente.


O que acontece quando essa análise vem depois?


Em um processo de projeto, decisões tomadas nas etapas iniciais tendem a orientar as etapas seguintes. Quando uma condicionante relevante é identificada apenas depois que a solução arquitetônica já está consolidada, suas adequações podem gerar impactos que ultrapassam o próprio sistema de prevenção contra incêndio.


Uma mudança em uma circulação pode repercutir no layout. Uma exigência relacionada a acessos pode demandar revisão da implantação. A necessidade de determinada área ou solução técnica pode exigir compatibilização com arquitetura, instalações e estrutura.

Isso não significa que todo projeto precise ter suas soluções de prevenção contra incêndio completamente definidas antes da concepção arquitetônica. Significa compreender, desde as primeiras decisões, quais condicionantes podem influenciar o desenvolvimento da proposta.

Essa visão é especialmente importante em estudos de viabilidade, novos empreendimentos, mudanças de ocupação, ampliações, regularizações e adaptações de edificações existentes.


Mais do que evitar retrabalho, a análise antecipada permite avaliar cenários e tomar decisões com maior previsibilidade.


Projeto de PPCI

Segurança contra incêndio: da exigência à estratégia de projeto


Considerar a prevenção contra incêndio desde a concepção não significa transformar uma exigência técnica em uma limitação para a arquitetura. Ao contrário: significa incorporar uma variável importante ao processo de projeto para que as soluções possam ser desenvolvidas de forma mais integrada.


Na prática da Arquitetura Legal, compreender essas interfaces faz parte de uma visão mais ampla sobre o imóvel. Legislação, arquitetura, segurança, tramitação e viabilidade não são etapas completamente independentes. As decisões tomadas em uma frente podem repercutir nas demais.

Por isso, antes de desenvolver uma solução definitiva, é importante compreender as condicionantes que podem interferir em sua implantação, aprovação e funcionamento.

A prevenção contra incêndio tem como objetivo essencial proteger vidas e patrimônios. Considerá-la desde a concepção do projeto é também uma forma de incorporar esse objetivo ao próprio processo de planejamento da edificação.


Quanto mais cedo as condicionantes são compreendidas, maior é a possibilidade de que a segurança faça parte da solução, e não apenas da adequação do projeto.



FONTES


Lei Complementar nº 14.376, de 26 de dezembro de 2013, e alterações. Estabelece normas sobre segurança, prevenção e proteção contra incêndios nas edificações e áreas de risco de incêndio no Estado do Rio Grande do Sul.


Decreto Estadual nº 51.803, de 10 de setembro de 2014, e alterações. Regulamenta a Lei Complementar nº 14.376/2013.


CBMRS. Legislação, Resoluções Técnicas e orientações sobre Segurança Contra Incêndio.

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